07/03/2023 04h00
O ano começou com olhares atentos sobre as perspectivas econômicas ao redor do mundo. Os juros altos motivados pelas maiores taxas de inflação globais das últimas décadas abrem algumas oportunidades de investimentos, mas ao mesmo tempo, geram preocupação em como as economias irão se desdobrar para crescer de forma sustentável.
Os ativos de risco no Brasil sofreram em fevereiro com o Ibovespa perdendo 7,49%, devolvendo os ganhos de janeiro. No exterior, o S&P 500 também teve resultado negativo de 0,54%.
Essa dinâmica leva os investidores a migrarem das classes de maior risco para as de menor risco como renda fixa, sendo que no mês o CDI teve rentabilidade de 0,92% adicionando menos risco para a carteira comparado a renda variável.
Logo no primeiro dia do mês de fevereiro, tivemos as reuniões do FED e do Copom para decidirem sobre o andamento da taxa de juros dos Estados Unidos e do Brasil, respectivamente, evento conhecido como “super quarta” para os investidores brasileiros.
A decisão do Banco Central foi de manutenção da taxa básica de juros, a Selic, aqui no Brasil, em 13,75%, que se mantem desde agosto do ano anterior e já estava prevista pelos economistas.
Já nos Estados Unidos, a faixa alvo da taxa foi elevada em 0,25 ponto percentual, medida aprovada por quase todos os participantes segunda ata divulgada.
O dólar por sua vez teve valorização frente ao real de 2,13% e pelo segundo mês consecutivo, as criptomoedas como um todo valorizaram, com o Bitcoin rendendo 2,66% e o Ethereum 3,37% no mês.
No cenário mundial, o FMI, Fundo Monetário Internacional, elevou as expectativas de crescimento do PIB mundial em 0,2%, chegando em 2,9% em 2023. Este aumento tem base na percepção de economias mais resilientes e surpresas positivas do mercado mundial.
No Brasil, a economia deve ser mais fraca em relação aos últimos dois anos, onde o crescimento foi na ordem de 5 e 3% e a expectativa do mercado em 2023, segundo o relatório Focus, é de crescimento próximo a 0,85%, já para 2024 a expectativa de crescimento ficou estável em 1,50%..
Outro ponto que o mercado está de olho são as preocupações referente a economia chinesa. As análises mostram que a atividade econômica pode permanecer fraca na China devido aos desafios do setor imobiliário, diminuição das exportações e, entre outros motivos, a abordagem de tolerância zero à covid.
Neste cenário, se destacaram fundos com alocações menores em ativos de risco e posições menos direcionais..
Melhores fundos multimercado
Confira a seguir os dez fundos multimercados com as maiores altas em fevereiro
Melhores fundos multimercados fevereiro 2023
Nome
Retorno no mês
SKOPOS INV CAPABLANCA FI MULTIMERCADO
10,24%
AZ QUEST TOTAL RETURN FIC MULTIMERCADO
4,34%
REAL INVESTOR FIC MULTIMERCADO
2,66%
EXPLORITAS ALPHA AMÉRICA LATINA FIC MULTIMERCADO
2,53%
NOVUS MACRO FIC MULTIMERCADO
2,45%
KINEA ATLAS II FI MULTIMERCADO
2,26%
GAP ABSOLUTO FIC MULTIMERCADO
1,99%
TRUXT I MACRO FIC MULTIMERCADO
1,96%
ACE CAPITAL FIC MULTIMERCADO
1,90%
LATO LONG SHORT 1 FIC MULTIMERCADO
1,89%
A GAP Asset, gestora do fundo GAP Absoluto Fic Fim, que obteve uma rentabilidade de 1,99% no mês de fevereiro, comenta:
“O resultado positivo do fundo no mês de fevereiro é explicado principalmente por posições vendidas no real contra o dólar e por posições tomadas na inclinação da curva de juros local. Também contribuíram positivamente, mas em menor magnitude, posições vendidas em bolsa internacional e tomadas em juros desenvolvidos
Do lado negativo, os destaques foram em bolsa Brasil e nos books de commodities e moedas. No Brasil, os ruídos políticos se intensificaram ao longo do mês, por conta das ofensivas políticas ao Banco Central e à política de preços da Petrobras. Ainda que o governo não tenha feito mudanças de fato, as ofensivas se traduziram em maior prêmio de risco.
A posição tomada na inclinação se beneficiou bastante das discussões sobre mudança na meta de inflação, e optamos por zerar após o forte movimento. Em bolsa, as perdas foram concentradas em posições do setor de petróleo.
Nos mercados internacionais, as posições vendidas em bolsa e tomadas em juros se beneficiaram da reprecificação da taxa terminal americana em função da percepção de que o processo de desinflação global será mais desafiador do que se esperava..
No Brasil, mantemos uma posição relevante comprada no dólar contra o real. Todos os sinais emitidos pelo novo governo vão na direção de mudanças expressivas no modelo econômico e retrocessos importantes.
Em Bolsa, nossa carteira continua refletindo uma visão mais negativa para as ações de consumo/doméstico e mais otimista com petróleo. Voltamos a adicionar posições em ações de qualidade com mais beta ao mercado doméstico.
Nos mercados internacionais, não enxergamos assimetria positiva nos ativos de risco nesse momento de pressão nas taxas curtas de juros. Assim, possuímos posições vendidas na Bolsa americana por entender que o múltiplo atual é alto se comparado à renda fixa americana. No mercado de commodities, seguimos com alocações pequenas em urânio e zerados no petróleo.”
Segue comentário da Real Investor sobre seu fundo multimercado Real Investor Fic Fim:
“No mês de fevereiro de 2023, o Real Investor FIM teve uma performance de 2,66%, versus 0,92% do CDI, acumulando o resultado de 2,98% no ano, contra 2,05% do CDI.
O fundo tem como principal estratégia o long-short, no qual, buscamos, na ponta LONG, ações de empresas com boas perspectivas de valorização e negociam abaixo do seu valor intrínseco (tendo como referência a carteira de ações do Real Investor FIC FIA BDR Nível I); e, na ponta SHORT, operações que possam ser realizadas majoritariamente com o Índice Ibovespa, e, pontualmente, com empresas que apresentam perspectivas ruins e/ou que negociam acima do seu valor intrínseco.
No mês de fevereiro, nossa carteira long apresentou resultado superior à carteira short (composta principalmente pelo Índice Ibovespa). Seguimos otimistas com nossa carteira long versus nossa carteira vendida, mantendo uma exposição levemente direcional, uma vez que temos um portfólio composto por empresas mais baratas, mais rentáveis e menos endividadas que as que compõem o Ibovespa, selecionadas com muita cautela pelo nosso time de analistas, seguindo com disciplina a filosofia do value investing.
O fundo também conta com a estratégia macro, que teve desempenho positivo no mês de fevereiro, principalmente com operações compradas em inclinação da curva de juros e de valor relativo entre renda variável e a moeda brasileira..
No Brasil, a desaceleração da atividade combinada com a deterioração do mercado de crédito (aumento de inadimplência e spreads mais elevados) abre possibilidade para a discussão sobre redução da taxa de juros em algum momento. Simultaneamente, as incertezas em relação ao fiscal e dúvidas em relação às medidas a serem adotadas pelo governo aumentam a necessidade de prêmio dos ativos locais..
O cenário segue bastante incerto e demanda cautela. Na parte externa, dados de atividade e inflação acima do esperado trazem de volta os riscos associados à necessidade de altas adicionais nas taxas de juros e aumento de volatilidades nos preços dos ativos. No cenário local, a economia emite alertas de desaceleração e o novo governo dá sinais de adotar velhas políticas que deram errado no passado. Com isso, o foco tem sido em operações de valor relativo e operações direcionais apenas de forma tática.”
Melhores fundos de renda fixa Confira abaixo os melhores fundos de renda fixa no mês de fevereiro. .
Nome
Retorno no mês
NC EXCLUSIVE FIC RENDA FIXA LP
3,01%
KINEA IPCA DINÂMICO II FIC RENDA FIXA
2,70%
WESTERN ASSET IMA-B 5 ATIVO FI RENDA FIXA
1,40%
KINEA ABSOLUTO FI RENDA FIXA LP
1,25%
SULAMÉRICA ATIVO FI RENDA FIXA LP
1,03%
MAPFRE FI RENDA FIXA
0,99%
BTG PACTUAL CDB PLUS FI RENDA FIXA CRÉDITO PRIVADO
0,96%
ARTESANAL FI RENDA FIXA
0,95%
SULAMÉRICA PREMIUM FI RENDA FIXA REFERENCIADO DI CRÉDITO PRIVADO
0,95%
V8 VANQUISH TERMO FI RENDA FIXA
0,95%
Para o fundo Kinea IPCA Dinâmica II, o gestor compartilha o seguinte comentário sobre o bom desempenho em fevereiro:
“A boa performance no mês ocorreu principalmente pelas nossas posições na renda fixa internacional. Obtivemos ganhos tanto em juros, que se beneficiaram com a abertura das taxas de juros nos EUA, quanto em moedas. Em menor escala, também obtivemos ganhos com posições compradas em NTNB de curto prazo. Nas demais posições da renda fixa local e também em crédito privado, a carteira teve um resultado próximo da neutralidade…
No Brasil, seguimos posicionados para quedas dos juros. A economia brasileira está desacelerando com um consumidor que está em situação patrimonial frágil e sentindo o efeito defasado de juros altamente contracionistas. A inflação deve ter uma composição favorável com moderação dos núcleos de inflação e o próximo movimento do Banco Central deve ser de corte da taxa Selic.
Nos juros internacionais, seguimos posicionados para uma maior taxa de juros terminal nos EUA. A economia americana está sobreaquecida e não vemos espaço para cortar juros tão cedo. Eu outras geografias, estamos posicionados para juros menores na Nova Zelândia e maiores no Chile.
Seguimos diferenciando as moedas usando principalmente dois temas: (i) aperto do mercado de trabalho e pressões de salários e (ii) vulnerabilidade do setor imobiliário. Usando esse arcabouço, por exemplo, somos vendidos no reminbi chinês, pois o desemprego está alto e o setor imobiliário está em uma correção estrutural.
Somos comprados principalmente no dólar. As principais posições vendidas são no reminbi chinês, no dólar da Nova Zelândia, no dólar de Cingapura e na Coroa Sueca.”
Segue comentário da Western Asset sobre seu fundo de renda fixa Western Asset IMA-B 5 Ativo:
“O fundo Western Asset IMA-B5 foi o destaque do mês de fevereiro na ampla grade de produtos da Western Asset. Por ser um fundo que aplica em NTN-Bs (títulos indexados ao IPCA) com vencimento mais curto, o WA IMA-B5 se beneficiou de um contexto de incertezas com relação à dinâmica inflacionária no Brasil
“Estamos em meio a uma queda de braço entre o BC e o governo”, declarou o especialista de investimentos, Marcelo Guterman. “Com isso, as expectativas de inflação ficam pressionadas, dificultando a tarefa do Banco Central”, complementou.
O resultado disso foi a queda dos cupons das NTN-Bs mais curtas, precificando um cenário em que o BC pode ser levado a praticar taxas de juros reais menores no curto prazo. Claro que isso, segundo o gestor, seria ruim para as perspectivas de médio prazo, mas as NTN-Bs mais curtas acabam se beneficiando desse movimento, o que explica a boa performance do WA IMA-B5
Os próximos passos importantes a serem monitorados são a apresentação do novo arcabouço fiscal (prometido pelo governo agora para março), a indicação de dois diretores para o colegiado do Copom e a discussão de uma eventual nova meta da inflação na reunião do CMN em junho. “Todas essas discussões serão fundamentais para entender para onde vai a inflação no País”, completa Guterman..